sábado, 8 de xuño de 2024
Falece o neno que deu rostro á emigración galega
mércores, 8 de maio de 2024
xoves, 4 de abril de 2024
luns, 4 de marzo de 2024
luns, 26 de febreiro de 2024
sábado, 3 de febreiro de 2024
venres, 2 de febreiro de 2024
mércores, 28 de xuño de 2023
venres, 23 de xuño de 2023
luns, 15 de maio de 2023
luns, 1 de maio de 2023
Curros Enríquez: O maio
Aí vén o maio
de flores cuberto ...
Puxéronse á porta
cantándome os nenos;
e os puchos furados
pra min estendendo,
pedíronme crocas
dos meus castiñeiros.
Pasai, rapaciños,
calados e quedos;
que o que é polo de hoxe
que darvos non teño.
Eu sonvos o pobre
do pobo gallego:
pra min non hai maio,
pra min sempre é inverno!
Cando eu me atopare
de donos liberto
e o pan non me quiten
trabucos e préstamos,
e como os do abade
florezan meus eidos,
chegado habrá estonces
o maio que eu quero.
Queredes castañas
dos meus castiñeiros?
Cantádeme un maio
sen bruxas nin demos;
un maio sen segas,
usuras nin preitos,
sen quintas, nin portas,
nin foros, nin cregos.
domingo, 2 de abril de 2023
martes, 14 de marzo de 2023
Jean Ranc: O futuro Carlos III de España aos 7 anos (1723)
O que habería de ser Carlos III, rei de España, posa aquí, nun retrato infantil cheo de graza e frescura, examinando unhas flores á maneira dun herborista, coa man pousada sobre un volume das Bucólicas de Virxilio.
xoves, 9 de marzo de 2023
domingo, 15 de xaneiro de 2023
Manuel Vicent: "El reino animal"
(EP, 15.01.2023)
martes, 15 de novembro de 2022
Eugénio de Andrade: Prefácio a Os amantes sem dinheiro, 1950
É todo um mundo confuso, de penetração difícil, tanto mais difícil quanto mais pretendo pô-lo claro, transparente. Não sei se houve primeiro lágrimas ou o som do harmónio. Em todo o caso lembro-me de duas casas — uma na Eira, outra no Adro. Sei que as lágrimas e as estrelas eram na casa da Eira e a música do harmónio na casa do Adro.
Minha mãe disse-me que eu nasci na casa do Adro, e só um pouco mais tarde, quando a família a abandonou de todo, nos mudámos para a casa da Eira. Ambas eram casas pequenas, térreas, com duas divisões, mais que suficientes para mãe e filho viverem. Ainda há poucos anos vi essas casitas onde eu e a mãe começámos a ser um do outro, e pareceram-me incrivelmente pequenas, mais pequenas mesmo que certas salas de brinquedos que os meninos ricos têm na cidade.
Em frente da porta de entrada havia uma arca enorme. Sei que nessas arcas arrumam os pobres tudo o que têm: a roupa do corpo, a roupa da cama, o milho para moer, o pão e a faca embrulhados num pano de linho grosseiro. Lembro-me do cheiro que sai da arca ao abrir — é um cheiro forte, são, de frutos naturais que a terra dá.
Ora um dia, quando me aproximei da arca — sabe-se lá se para dar a entender a minha mãe que queria pão — estava lá em cima uma coisa que eu nunca tinha visto. Em bicos de pés, deitei-lhe a mão e puxei. Então o que sucedeu foi maravilhoso: de dentro saiu um som bonito, mais bonito ainda do que a voz de minha mãe, que certamente eu já ouvira cantar. E talvez não, talvez eu não tivesse ouvido ainda minha mãe cantar. A mãe era nesse tempo uma mulher triste.
Da casa da Eira só me lembro do quartito que dava para a cozinha. Um tabique separava-nos da casa da Ti Ana, uma velhota a quem minha mãe às vezes me deixava a guardar. Foi nesse quarto que a mãe me ensinou a rezar:
Senhora Sant’Ana,
Tapai-me cum véu,
que eu sou pequenino,
levai-me prò Céu.
Mas eu gostava mais de me meter com a velhota do que das orações:
— Ó Ti Ana! Ti Ana!
Faça-me um favor!
Que é? — perguntava a boa mulher, fingindo ignorar a resposta:
— Empreste-me a pele
pra fazer um tambor!
Mas isso foi bastante depois. Antes das orações e das brincadeiras com a Ti Ana, lembro-me das lágrimas. Nunca mais voltei a chorar assim.
Certa manhã acordei sozinho em casa. Acordei a chorar. — Ó mãe, mãe… — Mas a mãe não vinha. Não havia mãe. Havia só a porta fechada. — Ó mãe, mãe… — E a casa deserta. Pelas frinchas largas da porta via a manhã lá fora. Era uma manhã de sol quente, talvez de julho, talvez de agosto. Devia haver medas de palha na eira em frente. Mas os meus olhos mal viam, estavam rasos de água e de angústia. — Ó mãe, mãe… — E de repente, na manhã clara, começaram a cair estrelas pequeninas, estrelas verdes, vermelhas, estrelas de oiro. As lágrimas caíam-me pela cara. — Ó mãe, mãe… — O nariz esmagado contra a porta, os olhos muito abertos, vendo através das frinchas as estrelas caindo, umas atrás das outras. — Ó mãe, mãe…
E ninguém me abriu a porta para apanhar as estrelas. Nem mesmo tu, mãe, pois a essas horas andavas a ganhar o pão para a boca daquele que hoje te oferece estes versos.
sábado, 15 de outubro de 2022
Juan José Millás: Reescritura
Me viene a la memoria una goma de borrar que tuve de pequeño, una goma cuadrada, grande, un paralelepípedo en realidad. Borraba las sumas y las restas que me salían mal, la caligrafía deforme, la ortografía doliente. Me gustaba borrar, gozaba con la idea de que todo en la vida era rectificable e imaginé una goma que borraba los rotos del pantalón, los “tomates” de los calcetines, los agujeros de las suelas de los zapatos. Una goma que borraba el miedo a la oscuridad y el pánico de los mayores a no llegar a fin de mes, y que borraba el llanto de mis hermanos pequeños, así como los sabañones que producía el frío y hasta el frío de enero era capaz de borrar aquella goma de borrar imaginaria.
Jamás soñé con volar o con ser invisible. Soñaba con borrar las acelgas rehogadas y las judías verdes, con borrar las clases de Geografía y los domingos por la tarde, y con borrar a un cura, profesor de Lengua, que nos pegaba y que disfrutaba pegándonos, un cura pederasta, de la variedad sádica, que se excitaba rompiéndonos los tímpanos con las tortas de sus manos consagradas a Dios, las manos con las que convertía el pan y el vino en el cuerpo y en la sangre de Cristo.
Me viene a la memoria a veces aquella goma Milan, que estaba hecha de polímeros de vinilo, según acabo de leer en internet, y que al contacto con el grafito del lápiz producía una reacción química con la que podría borrarme a mí mismo, empezando por las piernas. Me borraba de abajo arriba, desde los zapatos hasta la nuca, y al final quedaba solo un brazo en el aire y una mano incapaz de borrar esa extremidad última. Yo no soy escritor, soy reescritor, porque me he pasado la vida escribiendo sobre lo borrado. Lo he reescrito todo, incluida la muerte de mis padres y la de mis hermanos, y, de tener talento, habría reescrito con gusto la historia de España.
Artigo completo en EP (14.10.2022)
















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