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luns, 10 de xuño de 2024

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

 


Miguel Torga: 'Diário XII'


Viagem,
É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...

xoves, 25 de abril de 2024

A Celeste. A enorme Celeste. 91 anos. Veio com a filha e a neta.

A 2 de Maio de 1933, nascia no Socorro, em Lisboa, Celeste Caeiro, a trabalhadora de restauração que começaria a distribuição de cravos pela população e pelos soldados a 25 de Abril de 74. Celeste trabalhava, na altura, num restaurante na Rua Braancamp, em Lisboa.

A bem da Nação

luns, 3 de xullo de 2023

Quando nasceu Portugal?

Quando e como nasceu Portugal? Se tivéssemos que festejar o nosso aniversário enquanto povo e país, qual seria o dia correcto? As hipóteses são várias e nenhum historiador poderá afirmar com toda a certeza qual delas seria a correcta, talvez porque a formação de Portugal se fez em diferentes passos e graças a uma sequência de vários acontecimentos. No entanto, se pretendêssemos traçar um cronologia do nascimento de Portugal, estas seriam as datas cruciais.

1- 24 de Junho de 1128
A Batalha de São Mamede foi uma batalha travada a 24 de Junho de 1128, entre D. Afonso Henriques e as tropas dos barões portucalenses contra as tropas do Conde galego Fernão Peres de Trava, que se tentava apoderar do governo do Condado Portucalense. As duas facções confrontaram-se no campo de São Mamede, perto de Guimarães.
Quando o conde D. Henrique morreu, a 1 de Novembro de 1112, fica D. Teresa a governar o condado, pois achava que este lhe pertencia por direito, mais do que a outrem, porque o seu pai lhe teria dado o território na altura do casamento. Associou ao governo o conde galego Bermudo Peres de Trava e o seu irmão Fernão Peres de Trava.A crescente influência dos condes galegos no governo do condado Portucalense levou à revolta verificada em 1128. Os revoltosos escolheram para seu líder D. Afonso Henriques, filho de D. Henrique e de D. Teresa.
Com a derrota, D. Teresa e Fernão Peres abandonaram o governo condal, que ficou então nas mãos do infante e dos seus partidários, o que desagradou ao Bispo de Santiago de Compostela, Diogo Gelmires, que cobiçava o domínio das terras. D. Teresa desistia assim da ambição de ser senhora de Portugal. Há rumores não confirmados que ela teria sido aprisionada no Castelo de Lanhoso. Há até quem relate as maldições que D. Teresa rogou ao seu filho D. Afonso Henriques.
2- 25 de Julho de 1139
A Batalha de Ourique ocorreu a 25 de Julho de 1139, num local que as fontes denominam de Ourique (Aulic, Oric, Ouric), que na altura estaria no território controlado pelos muçulmanos (tunc cor terrae sarracenorum). No terreno defrontaram-se as forças “portuguesas” lideradas por D. Afonso Henriques, que havia partido de Coimbra, contra cinco “reis” mouros: Sevilha, Badajoz, Évora, Beja e um quinto de nome Ismar, que alguns autores pensam ser o alcaide de Santarém e outros de Elvas, sendo apenas esta uma das muitas dúvidas que envolvem esta importante batalha.
Foram as vitórias militares que asseguraram a D. Afonso Henriques, um território suficientemente vasto para se afirmar como um Reino, e foram estas também que permitiram que o Reino de Portugal fosse reconhecido internacionalmente como tal. Destas vitórias, Ourique é sem dúvida a mais importante, pois foi a partir desta que Afonso Henriques passou a utilizar o título de Rei (Rex).
3- 5 de Outubro de 1143
No dia 5 de Outubro de 1143 foi assinado em Zamora, um tratado entre os reis D. Afonso Henriques de Portugal e D. Afonso VII de Leão e Castela do qual resultou a paz entre os dois reinos.
A partir desta data, o rei de Leão e Castela reconhece o rei e o reino de Portugal como entidades independentes, contudo, salvaguarda o facto de o reino de Portugal, continuar sob a alçada do monarca espanhol, como seu imperador (Imperatore).
Esta data, marca assim, a Independência de Portugal e o inicio da primeira dinastia Afonsina.
A soberania portuguesa reconhecida por Afonso VII no Tratado de Zamora, veio a ser confirmada, mais tarde, em 1179 pelo Papa Alexandre III (Bula Manifestis Probatum). D. Afonso Henriques perante o Cardeal Guido de Vico compromete-se a tornar-se vassalo da Santa Sé mediante o pagando um censo anual de quatro onças de ouro, ele e os seus descendentes.
4- 23 de Maio de 1179
Manifestis probatum foi uma bula emitida pelo Papa Alexandre III, a 23 de Maio de 1179, que declarou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão, e D. Afonso Henriques, o seu soberano. Esta bula reconheceu a validade do Tratado de Zamora, assinado a 5 de Outubro de 1143 em Zamora, pelo rei de Leão, e por D. Afonso Henriques.
Deste modo, o Papa, atendendo às qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo, toma D. Afonso Henriques «sob a protecção de São Pedro e a nossa», concede e confirma por autoridade apostólica ao seu domínio o Reino de Portugal com todas as honras inerentes à realeza, bem como as terras que arrancara das mãos dos sarracenos e nas quais não podiam reivindicar direitos os vizinhos príncipes cristãos. O privilégio estende-se a todos os seus descendentes, prometendo o Papa defender esta concessão com todo o seu poder supremo.”

luns, 20 de marzo de 2023

Cesário Verde: O sentimento dum ocidental



Vazam-se os arsenais e as oficinas,
Reluz, viscoso, o rio; apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.
Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

mércores, 28 de setembro de 2022

Dom Carlos I: Carta ao Conde de Arnoso (1889)

 Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gota, foi o penúltimo Rei de Portugal. Nasceu em Lisboa, no Palácio da Ajuda, a 28 de Setembro de 1863, e morreu na mesma cidade, no Terreiro do Paço, a 1 de Fevereiro de 1908.

Amigo Bernardo, dos desertos do Roncão d’el-Rei, na mais bela poética noite de luar que ver se possa, te escreve este teu amigo. Nada pode haver de mais belo; os rouxinóis cantam à desgarrada, o ar rescende dos milhares de loendros (laurier-rose) que cobrem as encostas alcantiladas do Guadiana. Que maravilha, que encanto, que tristeza (tu, com certeza, aqui choravas!). Neste momento, ouve-se o sinistro roncar da coruja e o longínquo uivar dos lobos, misturado com o forte ladrar dos rafeiros e os nossos cavalos relincham inquietos nas quadras... É à luz dum prosaico castiçal (uma garrafa com uma vela) que te escrevo estas sentidas regras, que espraio sobre este branco papel as ondas da minha melancolia. E como não estar melancólico se acabamos de fazer dezasseis léguas a cavalo em oito horas e não descansámos e não dormimos a noite passada senão uma mísera hora e vemos apenas diante de nós umas velhas esteiras, as nossas mantas, e os aparelhos dos nossos cavalos como travesseiros, para passarmos umas noites.

sábado, 16 de xullo de 2022

mércores, 25 de abril de 2018

Celeste e os cravos

 Celeste Martins Caeiro foi a muller que o 25 de abril de 1974 distribuíu os cravos entre os militares que estaban a dar un golpe de Estado para derrubar a ditadura fascista.

martes, 30 de maio de 2017

Agnés Varda: Portugal, 1956

Um conto de duas cidades é um documentário de Steve Harrison e Morag Brennann sobre a foto de Agnès Varda.

Os directores contam como em 2010 o casal viu um postal em Lisboa que achou curioso: uma fotografia a preto e branco de uma mulher com vestes negras que andava descalça numa rua. 

No muro atrás dela estava fixado um cartaz meio rasgado de Sophia Loren e ao lado uma tabuleta de madeira com a palavra "Vende-se".

A autora da fotorafia era Agnês Varda, uma cineasta belga que ambos admiravam, e o cenário a Rua das Lavadeiras, na Póvoa de Varzim, em 1956. Procuraram a seguir saber quem era aquela jovem que não usava sapatos, que tinha as pernas à mostra, que carregava o prato no corpo e com o cabelo amarrado no cimo da nuca, o chamado puxo -tão comum nas mulheres da comunidade piscatória da Póvoa de Varzim.

Maria do Alívio era o seu nome, e na altura da fotografia tinha 16 anos.

Sabia Agnès Varda o poder da fotografia que tinha entre as mãos? Os autores do documentário estão convencidos de que ela sabia: "Ela tem uma cápsula onde guarda as peças mais importantes da sua vida, e a fotografia de Maria do Alívio é uma delas", afirma Morag Brennan. 

Publico.pt (20.05.2017)

A música calada, a soedade sonora